Num mundo dividido entre dois eixos, o Kosovo deve escolher sem hesitação dos EUA.

Diz: O presidente da Sérvia, Faton Bislimi, participou de um desfile militar na China lado a lado com representantes da Rússia, Coreia do Norte e países que representam o novo eixo autoritário global. Não foi uma visita de protocolo. Era uma declaração política com claras incidências ideológicas e estratégicas: a Sérvia está a aprofundar a parceria [...]
O presidente da Sérvia participou de um desfile militar na China lado a lado com representantes da Rússia, Coreia do Norte e países que representam o novo eixo autoritário global. Não foi uma visita de protocolo. Tratava-se de uma declaração política com claras incidências ideológicas e estratégicas: a Sérvia está a aprofundar a sua parceria com Estados que desafiam a ordem democrática ocidental.
Entretanto, o Estado do Kosovo com o povo mais pró-americano da Europa e um símbolo da intervenção humanitária da NATO corre o risco de permanecer pouco claro e confuso na sua posição internacional, devido à falta de unidade interna e de nevoeiro estratégico na actual liderança.
Numa altura em que o mundo está a tornar-se cada vez mais claro entre os dois eixos russo-chinês, promovendo o autoritarismo e a derrubada dos valores democráticos, e o euro-atlântico, que protege a liberdade, a soberania e os direitos humanos, o Kosovo não tem o luxo de ficar neutro ou confuso. A aliança com os Estados Unidos não é um luxo. É sobrevivência.
Desde o primeiro dia do meu envolvimento na questão do Kosovo em Washington, percebi uma coisa com toda a clareza: Os Estados Unidos não são apenas o nosso aliado estratégico. Eles são o arquiteto do nosso estado. Sem a América, não haveria NATO em 1999, não haveria independência em 2008, e não haveria apoio para os desafios que enfrentamos.
Mas hoje, esta aliança precisa ser renovada, não em palavras, mas em ação. Não podemos procurar apoio dos EUA se a nossa conduta política produzir apenas divisões internas e confusão internacional.
Não podemos ser parceiros estratégicos com a América ao mesmo tempo que minamos a nossa credibilidade internacional.
A Sérvia está a escolher o lado errado da história: o Kosovo tem de escolher o contrário!
A participação de Vuciqi no desfile de Pequim é simbólica perigosa para a região. Não é aleatório. Mostra claramente que a Sérvia não tem intenção de abandonar as suas posições revolucionárias, mas procura reforçar através dos laços com Moscovo e Pequim dois poderosos centros anticontinentes. - NATO e anti-ocidental.
Isto deveria servir de alerta para todos nós: a região dos Balcãs está novamente no centro do confronto global entre dois mundos. Afinal, como Samuel Huntington disse, as linhas do colapso das civilizações atravessam nossas terras. E o Kosovo não pode permanecer indefinido, sem visão e sem uma liderança que possa claramente liderar o Estado.
Este é o momento do julgamento claro e de nenhum relato.
Esta crise global não está longe de nós. Ela também é nossa. Porque se o Kosovo não mostrar maturidade política, corre o risco de perder não só a confiança dos amigos, mas também a direcção como Estado.
Não é altura para protagonismo pessoal. Não é altura para um debate vazio. É tempo da unidade institucional, da maturidade do Estado e do regresso estratégico do Kosovo ao centro das atenções dos EUA e do Ocidente.
Para isso, o país precisa de uma liderança que fale em Washington, conhecida em Berlim, Londres e Bruxelas, e que tenha integridade, experiência e visão para liderar em tempos de crise.
Há mais de 20 anos que falo do Kosovo no Congresso Americano, grandes universidades, em mesas onde o nosso futuro está localizado. E não fiz isto para construir uma carreira pessoal, mas porque senti que era um dever sagrado para o meu povo.
Mas hoje, neste momento crítico para o país, não basta apenas falar. Tens de agir.
O Kosovo precisa de uma voz clara. Para uma representação digna. Para uma orientação que saiba onde está a história e de que lado deve permanecer o Kosovo.
A escolha é simples, mas requer visão e sabedoria!
Temos duas opções pela frente:
1. Vamos deslizar para uma zona política e diplomática cinza onde nossos amigos ficam cansados e nossos inimigos ficam mais fortes.
2. Ou reconstruir com dignidade, retomar uma séria cooperação com os EUA e reforçar a nossa posição de aliado firme do mundo democrático.
Acredito na segunda opção. E estou a trabalhar nisso mais do que nunca.
Está na hora de construir um novo capítulo para o Kosovo!
O Kosovo não precisa de líderes que sigam o espírito do dia. Precisa de visionários que sintam o peso da história e a responsabilidade pelo futuro.
Agora é o momento de decidir: Será que faremos parte do mundo que nos ajudou a libertar e construir o Estado, ou correremos o risco de ficar isolados numa região que se aproxima cada vez mais dos valores das trevas?
Creio que os nossos cidadãos estão conscientes. Eles sabem quem são os nossos verdadeiros amigos. Eles sabem o que a América representa para nós. E sabem que o futuro do Kosovo está no Ocidente. E começa com uma nova liderança, responsável e visionária.
O Kosovo deve escolher claramente, sem hesitação: democracia, amizade com os Estados Unidos e uma orientação que represente estes valores.
É o meu compromisso.
Faton Bislimi é o antigo deputado do Kosovo e o requerente da causa nacional em Washington, DC.









