Erros de Energia Graves

Diz: O processo de liberalização do mercado energético de Ethem Ceku é um desenvolvimento que a maioria dos países europeus empreendeu nas últimas três décadas. O principal objectivo deste processo foi criar um mercado competitivo, aumentar a eficiência, reduzir os preços a longo prazo e integrar-se nos mercados da energia regional e internacional. [...]
Diz: Ethem Ceku
O processo de liberalização do mercado da energia é um desenvolvimento que a maioria dos países europeus empreendeu nas últimas três décadas. O principal objectivo deste processo foi criar um mercado competitivo, aumentar a eficiência, reduzir os preços a longo prazo e integrar-se nos mercados da energia regional e internacional. No entanto, a experiência internacional prova que os resultados foram diferentes, dependentes das estruturas energéticas nacionais, da segurança interna do aprovisionamento e dos mecanismos de protecção que os governos criaram.
Experiências Internacionais
Na União Europeia, a liberalização teve início nos anos 90, com directivas claras que exigem uma abertura gradual do mercado. A Alemanha representa um exemplo bem sucedido, após a liberalização ter sido acompanhada por investimentos maciços em energias renováveis, transformando o país em líderes europeus para a produção solar e eólica. A Grã-Bretanha, como um dos pioneiros, conseguiu primeiro baixar os preços para os consumidores, mas mais tarde o mercado focou-se em poucas grandes empresas. A crise energética de 2021 mostrou claramente que a liberalização a longo prazo expõe a sociedade às flutuações dos mercados mundiais.
Por outro lado, países mais frágeis como a Grécia e a Albânia oferecem experiências semelhantes com o Kosovo. Dependendo principalmente das importações, enfrentaram incertezas e preços instáveis, o que forçou os governos a intervir com subsídios e mecanismos compensatórios para proteger consumidores e empresas. Em vez disso, a Polónia seguiu uma abordagem mais cautelosa. Associava a liberalização a novos investimentos em centrais térmicas modernas e em fontes renováveis, proporcionando um nível mais elevado de segurança energética antes da plena abertura do mercado.
Processo Kosovo
O Kosovo, em vez de aprender com estas experiências, deu o passo de liberalização para as grandes empresas, sem antes garantir novas capacidades de produção. Esta decisão obrigou o sector privado a ligar-se aos fornecedores externos, expondo as empresas às flutuações dos mercados internacionais e aumentando significativamente os seus custos. Em vez de criar uma concorrência saudável, a instabilidade foi gerada e aumentou a dependência das importações.
O que distingue o Kosovo da maioria dos outros países é a política extrema do sector da energia. Na Alemanha, na Grã-Bretanha e na Polónia, a energia tem sido tratada como uma política nacional a longo prazo, estreitamente ligada à segurança energética e ao desenvolvimento económico. No Kosovo, em vez disso, a energia tornou-se um instrumento político dos próximos governos. As decisões nem sempre se baseiam em análises económicas e estratégicas, mas muitas vezes em cálculos partidários limitados. Grandes projetos foram bloqueados ou utilizados como elemento retórico no debate político, impedindo a construção de uma base de poder forte.
Portanto, a maioria dos governos do Kosovo, em vez de ver a energia como a base do desenvolvimento econômico e da independência nacional, mataram o espírito em desenvolvimento “do país, transformando-o em uma área de conflitos políticos. A politização tem dificultado a criação de uma visão de longo prazo, bloqueado projetos estratégicos como “Kosovo C”, e tornou o país cada vez mais dependente das importações. A liberalização do mercado nestas condições não constituiu um passo em direcção ao desenvolvimento, mas um passo em direcção a um maior enfraquecimento económico e a uma maior incerteza energética.
As experiências internacionais revelam claramente que a liberalização só pode beneficiar se precedida da criação de capacidades internas sustentáveis e de uma estratégia de desenvolvimento energético despolitizado. No Kosovo, este processo não foi tratado como um projecto nacional, mas como um instrumento de política quotidiana, tendo, por conseguinte, produzido efeitos diferentes de objectivos específicos. Só através de uma estratégia que combine a construção de novas capacidades de produção, o desenvolvimento de recursos renováveis e, sobretudo, a despolitização do sector, o Kosovo pode transformar a energia de crise em motor de desenvolvimento sustentável.









