A ameaça direta da Sérvia para o Kosovo, o papel crucial da KFOR na segurança”

A ameaça direta da Sérvia para o Kosovo, o papel crucial da KFOR na segurança”

O diretor executivo do Centro Kosovar de Estudos de Segurança (QKSS), Mentor Vrajolli, disse que a armação da Sérvia deve ser vista como uma séria ameaça ao Kosovo, salientando a importância do papel da KFOR na segurança do Kosovo. Em uma entrevista para EO, Vrajolli disse que a Sérvia razões armando-o como um estado neutro, mas na realidade o objetivo principal [...]

O diretor executivo do Centro Kosovar de Estudos de Segurança (QKSS), Mentor Vrajolli, disse que a armação da Sérvia deve ser vista como uma séria ameaça ao Kosovo, salientando a importância do papel da KFOR na segurança do Kosovo.

Numa entrevista para a EO, Vrajolli afirmou que a Sérvia argumenta em armá-la como um Estado neutro, mas na realidade o principal objetivo é o impacto sobre o Kosovo, que ainda não progrediu na integração euro-atlântica.

A Sérvia, de alguma forma, argumenta esta armação pelo facto de que, como Estado neutro e normalmente Estados neutros, pretendem ter todas as suas capacidades, porque na sua doutrina não esperam apoio mútuo ou solidariedade, que é diferente nos Estados da NATO, porque os Estados da NATO são em grande parte construídos para alargar as suas sinergias e apoio uns aos outros. No entanto, o objectivo da Sérvia não é necessariamente ser neutra, especialmente em relação ao Kosovo, para não reconhecer o Kosovo. Devemos, pois, recordar que o armamento da Sérvia constitui uma ameaça directa para o Kosovo, especialmente o facto de o Kosovo ainda não ter aberto a porta ao progresso das integrações euro-atlânticas. Então devemos lembrar que isso representa uma séria ameaça para nós”, disse Vrajolli.

Ele expressa a opinião de que algumas das armas também podem ser orientadas para o consumo interno e a atitude de poder em relação aos protestos cívicos, avaliando que a política interna da Sérvia poderia afetar esse fortalecimento de capacidades.

Mas, por outro lado, talvez essas armas sejam para o consumo doméstico, bem como políticas internas. É evidente que a pressão sobre o Governo da Sérvia está a aumentar, e talvez uma das lógicas que possa ter influenciado isto seja que, através do reforço das instituições de segurança, a mudança democrática poderá nunca ser implementada. Parece obviamente que o poder está a resistir a esses protestos maciços e não está disposto a render-se a estes desenvolvimentos, pelo que penso que, em parte, esta arma pode ser contra os cidadãos da Sérvia”.

Vrajolli advertiu o perigo de grupos terroristas na região, citando o ataque a Banjska, onde alguns participantes ainda estão foragidos no território da Sérvia e podem voltar para ações no Kosovo, mesmo com reforços de indivíduos com convicção ultranacionalista.

O perigo é extremamente grande, isto foi visto com o ataque terrorista a Banjska. Aqueles que fizeram parte do ataque a Banjska ainda estão à solta em território sérvio, com todas as oportunidades de serem reembarcados no território do Kosovo, talvez mesmo com reforços através da mobilização de indivíduos com convicção ultranacionalista que poderiam juntar-se a estas pessoas. Portanto, o perigo pode ser ainda maior do que o do ataque terrorista a Banjska. No entanto, o que esperamos enquanto sociedade é que haja uma missão militar da NATO no Kosovo, que está presente no Kosovo desde Junho de 1999, com uma missão concreta, que impede que quaisquer estruturas armadas sejam introduzidas pela Sérvia no território do Kosovo”, afirmou.

Vrajolli observou a importância do desempenho da KFOR e manifestou preocupação com contingentes específicos na parte norte, que, segundo ele, não podem ser totalmente coordenados com o comando da NATO.

Ele estimou que as instituições do Kosovo deveriam estar activas para acompanhar a situação e garantir a presença de forças em países-chave.

Por conseguinte, a segurança do Kosovo em geral depende muito do desempenho da KFOR no Kosovo, talvez o fracasso da KFOR seja uma ameaça aberta à segurança no país, e o fracasso da KFOR não será possível devido à negligência, porque penso que a KFOR já está extremamente consciente dos riscos que a situação comporta. O receio que poderia existir neste caso é que qualquer contingente da KFOR na parte norte da NATO não seja portátil para o comando comum da NATO, pois o facto de as quotas da NATO terem sido distribuídas por vários Estados-Membros da NATO, especialmente no caso da Hungria ou da Eslováquia. Talvez o medo de não cumprir a tarefa certa com certa tendência não deva ser desassociado. Penso que as instituições do Kosovo deveriam ser extremamente activas no sentido de pressionar a KFOR para que estes contingentes não se encontrem na parte norte ou, pelo menos, para terem uma visão adicional destes contingentes, porque a segurança é algo que é difícil de acreditar que estes Estados não cometam qualquer acto. Como sociedade, não vamos deixar a nossa segurança ao destino, disse ele.

Vrajolli também citou o estado das instituições de segurança locais, dizendo que a Polícia e a Força de Segurança do Kosovo operam normalmente, embora o Estado de direito deva ser assegurado por todas as instituições estatais.

Ele estimou que a situação na parte norte do Kosovo melhorou acentuadamente, onde os órgãos legítimos agora operam sem serem ameaçados por grupos criminosos que antes atuavam lá.

Em termos de instituições de segurança, acho que estão a trabalhar, apesar de termos uma crise. A polícia e a KSF estão a operar. O que é problemático é que o Estado de direito não é aplicado apenas pelas instituições de direito. O Estado de direito é tarefa de todas as instituições. Talvez devêssemos ter presente que a polícia é utilizada apenas para questões de emergência, mas, uma vez ultrapassada essa situação de emergência, os esforços devem ser de outras instituições, oferecendo os seus serviços. Na parte norte, há uma mudança de situação no terreno. Penso que a situação de segurança neste país é extremamente melhor do que antes, apesar de talvez os cidadãos ali estarem mais insatisfeitos com a situação actual. Mas isso também pode ser o resultado de mudanças extremamente rápidas. A comunicação do Governo para que estes cidadãos sejam informados de que estas mudanças são para o seu próprio bem, e estes dois desafios estão a ser confrontados. O que temos de fazer é criar instituições o mais rapidamente possível e começar a enviar mensagens adequadas à comunidade de que o Governo do Kosovo é de todos os cidadãos do Kosovo. A situação na parte norte do Kosovo melhorou acentuadamente porque já tem órgãos de aplicação da lei, órgãos legítimos, que têm responsabilidade e seus escritórios não serão atingidos com bombas ou queimados porque eles não obedecem a uma gangue que tem operado no lado norte de”, Vrajolli disse à EO./Periscopi/

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